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03/08/2016

Acampar com crianças nas férias

Se aqui há uns três anos me falassem em acampar, isso seria coisa para me deixar de cabelos em pé e ar de mete nojo.
Mas a vida dá muitas voltas e, às vezes, deixa-nos de cabeça para baixo, obrigando-nos a fazer ajustes à nossa realidade. Para uma família, como nós, viciada em viagens, cuja noção de férias envolvia sempre pelo menos 2 aviões e hotéis de 4 estrelas, começar a acampar foi uma opção que envolveu algum trabalho mental e também algum investimento de tempo e dinheiro para nos prepararmos para esta realidade, da qual pouco ou nada sabíamos, e da qual tinhamos alguns preconceitos.
As (poucas) experiências de campismo em Portugal tinham sido traumáticas, mas já tínhamos ouvido dizer que em Espanha, França, Alemanha, os parques de campismo eram fenomenais. Então, no ano passado, lá arriscámos numa viagem aos Picos de Europa, em Espanha, com regresso pela costa norte das Asturias à Galiza e foi espetacular!

De facto, os parques de campismo são "outro campeonato" no que toca às comodidades, limpeza, acessibilidade e simpatia dos funcionários e mesmo dos outros hóspedes.
Depois da estranheza inicial, e de nos adaptarmos aos sons e rotinas (cozinhar sem ser na nossa cozinha, tomar banho em casas de banho partilhadas, ouvir os sons das árvores, dos grilos quando estamos na tenda...), a coisa acaba por se entranhar de uma forma quase viciante.
Foi uma experiência de duas semanas que adorámos e que prometemos repetir.
Este ano o destino escolhido foi França, e se me perguntarem "também em campismo?", a minha resposta é um entusiasmado e eufórico "claro que sim!".
Sobretudo para quem tenha crianças, acampar traz inúmeros benefícios, das quais saliento os seguintes:
- A autonomia. O ambiente do camping é bastante controlado e, sobretudo, frequentado por famílias que cuidam umas das outras. As crianças têm oportunidade de andar mais livremente pelo espaço, sem necessidade de constante super visionamento. Damos-lhes pequenos recados como ir comprar o pão, ir aos lava-loiças lavar um copo, e algumas liberdades como ir à casa de banho sozinhos ou ir para o parque infantil durante 30 minutos, permitindo-lhes assim maior autonomia;
- A sociabilização. Há crianças de várias nacionalidades e, entre os vizinhos das tendas em redor, o parque infantil ou a piscina, fazem-se sempre muitas amizades, provando que a língua não é uma limitação;
- Aprender a apreciar e respeitar a natureza. Para crianças de cidade é sempre uma excitação dormir, brincar, comer e descansar ao ar livre. Cedo perdem os medos dos sons da natureza e aprendem a gostar dos bichinhos, dos pés descalços na relva e de poder andar descontraídos todo o dia. Além disso, o ecoturismo pressupõe que deixemos sempre o espaço que ocupámos como o encontrámos, ensinando assim sobre a importância da ecologia.
São experiências inesquecíveis para as crianças e para nós, pais, que vibramos ao vê-los tão felizes.
Além disso, o campismo é algo que nos oferece tempo. Sem horários, tudo é feito ao nosso ritmo, calma e descontraidamente.

A viagem deste ano pretendia percorrer a costa Basca, subindo depois pela Bretanha até à Normandia. Um imprevisto com o carro impediu-nos de seguir os planos iniciais, fazendo-nos descer da Costa Basca para os Pirinéus, de modo a reduzirmos o número de quilómetros.
O parque de campismo em que estivemos na Costa Basca, perto de Biarritz, era pequeno mas amoroso, super verde e com parcelas espaçosas. Cada família tem direito a 80m2 de relvado para dispor a sua tenda e carro ou autocaravana. Havia uma piscina exterior aquecida, uma piscina infantil (também aquecida) e um spa. Um parque infantil enorme com um mega trampolim, um restaurante, um bar e um kids club que mantinha as crianças entretidas toda a manhã. Havia um lago onde se podia fazer piqueniques e andar de bicicleta ao redor.


Os WC eram impecavelmente limpos, sempre com papel higiénico macio e até gel de álcool para desinfectar. Os duches eram de tamanho familiar, super espaçosos e práticos.
O silêncio era imperioso a partir das 22h30, e começavam a ouvir-se gargalhadas e a cheirar a café às 9h. Houve trocas de bolachas, oferta de gasosas e sempre um vizinho a deitar um olho aos miúdos.
Houve, definitivamente, a vontade de ficar mais tempo, mas queríamos conhecer mais lugares, então seguimos para os Pirinéus, onde ficámos num camping num vale lindíssimo, com instalações de luxo (por exemplo os WC eram mais bonitos do que os de muitos hotéis de 4 e 5 estrelas onde já estive), 5 piscinas exteriores aquecidas e escorregas aquáticos. Foi a loucura!


Daí aventurámo-nos para passeios nas montanhas, com trilhos de mais de 2h junto a rios e cascatas e direito a andar de teleférico, de tele-cadeirinhas e ainda a descer 800 metros de montanha num tobogan sobre carris. Vimos a cascata mais alta de França, estivemos num dos picos mais altos dos Pirinéus, e fizemos piqueniques em locais de cortar a respiração. Estivemos num parque animal onde os animais estão sem semi-liberdade e onde pudemos alimentar e dar festinhas a marmotas, a imagem de marca da região. À noite ouvíamos os lobos a uivar ao longe, e acordávamos com coelhinhos à beira da tenda.

Foi muito, muito bom! Uma experiência enriquecedora e de crescimento em tantos sentidos, para cada um de nós, deixando-nos cheios de recordações que ficarão para sempre na nossa memória.
E claro, já estamos a planear a próxima viagem!

N.

23/04/2016

Respirar à grande e à francesa

Nesta Páscoa fomos à Disneyland Paris. E quando digo fomos, falo mesmo num plural que inclui 3 das autoras deste blog.
Bem, na realidade acabámos por não ir as 3, uma vez que, na véspera, a X. cancelou a viagem.
Um bombista suicida resolveu explodir o aeroporto de Bruxelas semeando, uma vez mais, o pânico e o medo para quem viaja pelo centro da Europa. A X., que ia só com a filha, não se sentiu confortável em deixar cá o pai da cria ansioso com esta situação, então optou por não ir.
A R. e eu arriscámos, mas tivemos que dar muitas explicações aos nossos filhos, para o facto de haver tanta polícia armada até aos olhos à saída do aeroporto, e por termos de ser todos revistados à entrada dos Parques. Não foi fácil transmitir os acontecimentos da véspera aos pequenos e ainda menos fingir que aquilo não nos preocupava e que, no mundo da fantasia, estaríamos seguros.
Na realidade até estávamos, ou pelo menos foi assim que nos sentimos, tendo em conta o que vimos (e o que não vimos). Só para terem uma ideia, a R. deixou o carrinho de bebé da filha parado à porta de uma loja por 15 minutos e quando voltou ele já não estava lá. Contrariamente ao que inicialmente pensou, o carinho não tinha sido roubado, estava intacto mas com os segurança do parque que não permitem que item nenhum fique "abandonado" mais de 10 minutos.

À parte disso, a verdade é que, no momento em que entramos na Disneyland, todas as preocupações ficam lá fora. O nosso universo passa a ser somente a Fantasyland, a Adventureland, a Frontierland e a Discoveryland, e os nossos maiores receios são apanhar filas com mais de 30 minutos para as diversões (o que acontece... muito!).
De um segundo para o outro, como se fossemos salpicadas por pó de fada, deixamos de ser as mães chatas e controladoras e passamos a ser mais umas crianças, no meio das milhares ali presentes.
Devo confessar que, com o meu filho, o único stresse que tive foi convencê-lo a andar na Hollywood Tower (que ele não andou) e lidar com a frustração dele (e minha!) por, após 2 horas na fila para o Ratatui, aquilo não render mais do que 2 fantásticos minutos.
Essa é a parte que mais custa, as esperas, que no meu caso só foram suportáveis porque abri uma excepção e permiti que o T. jogasse no telemóvel enquanto estávamos na fila. Assim até passava num instantinho... para ele!



A primeira vez que fui à Disneyland tinha 8 anos e a segunda tinha 26. Agora, com 34, não notei quase nenhuma diferença, parece que o tempo ali pára. Mas é um engano, não só não pára como passa muito rápido, aqueles 3 dias e meio souberam-nos a pouco, mas foram muito bem aproveitados!
Andámos em todas as diversões, desde o fofinho "It's a Small World" com cenários dos vários povos e culturas do mundo, às grutas dos Piratas das Caraíbas, a montanha russa do Indiana Jones, fintámos planetas e cometas na Space Mountain e andámos aos tiros galáticos com o Buzz Lightyear; vimos a Parada com todas as personagens nos espetaculares carros alegóricos, assistimos à fabulosa festa de encerramento com o video mapping que conta uma história projetada no palácio da Bela Adormecida, e deslumbrámo-nos com o grandioso fogo de artifício.
Comemos em restaurantes temáticos giríssimos, jantando uma noite no Planet Hollywood, outra na selva e ainda outra num castelo da Baviera. A R. até almoçou com as Princesas da Disney e com o Mickey, uma experiência inesquecível para as crianças (e não só)!


Ultrapassados os dramas alimentares (não há muita variedade e é tudo estupidamente caro), ninguém sai defraudado desta mágica e inesquecível viagem.
A viagem à Disneyland tanto faz sentido para crianças de 3 anos, que se encantam por personagens como o Dumbo, a Branca de Neve e o Peter Pan, como para as mais crescidas que já gostam de alguma emoção . Definitivamente, faz muito sentido para as mães e pais que ainda têm a sua criança interior aos saltos apreciam uma boa dose de adrenalina!